Questão FC512667
Em investigações forenses, vestígios biológicos coletados sob as unhas de vítimas podem ser cruciais para esclarecer casos de agressão física ou sexual. Um estudo recente avaliou a
Medicina Legal
CEBRASPE (CESPE) · 2025
Em investigações forenses, vestígios biológicos coletados sob as unhas de vítimas podem ser cruciais para esclarecer casos de agressão física ou sexual. Um estudo recente avaliou a transferência e persistência de DNA masculino sob as unhas de mulheres em simulações controladas de arranhões. As amostras subungueais foram coletadas em diferentes momentos após o contato, sem limpeza prévia das unhas. Os resultados indicaram que o DNA do homem arranhado foi detectado até 6 horas após o evento, com uma diminuição significativa após as 3 primeiras horas. Além disso, entre 6 e 24 horas após o arranhão, foram detectados perfis genéticos masculinos estranhos aos participantes, o que sugere possível contaminação de fundo ou transferência posterior. Esses achados reforçam a importância de se considerarem o tempo de coleta e a possibilidade de DNA de fundo na interpretação de evidências subungueais, especialmente ao se avaliar o tipo de atividade envolvida.
Damour, Géraldine et al. Tracking male DNA transfer and survival under female victim fingernails: insights from a 24 h scratch simulation. Forensic Science International: Genetics, v. 78, 2025 (com adaptações).
Considerando o texto precedente como referência inicial, julgue o item subsequente, relativo à genética forense.
Se o DNA de fundo das amostras subungueais for originário de um animal macho, como o cachorro da vítima, por exemplo, e estiver em maior quantidade que o DNA do suspeito, o perfil genético obtido por análise de conjuntos comerciais de STR (short tandem repeats) do cromossomo Y irá excluir o suspeito.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é ERRADA porque os conjuntos comerciais de Y‑STR são desenhados para amplificar sequências específicas do cromossomo Y humano. DNA de um animal macho, como o do cachorro, em geral não é compatível com esses primers e não gera um perfil Y humano reconhecível.
Se houver muito DNA não humano, o resultado provável é ausência de perfil humano ou falha na amplificação, não um perfil masculino que permita excluir um suspeito humano.
Além disso, quando há mistura de DNAs humanos masculinos, um perfil Y diferente do suspeito pode sugerir outra linha paterna, mas não constitui prova absoluta de exclusão individual, pois Y‑STR evidencia linhagem paterna compartilhada e pode ser afetado por mistura e perda aleatória de alelos.
Portanto, DNA animal em maior quantidade não leva diretamente à exclusão do suspeito por Y‑STR; é preciso avaliar espécie, qualidade do dado, mistura e contexto forense.
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