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Questão FC213356

A teoria da separação dos Poderes da República tem desempenhado um papel primordial na conformação do chamado Estado Constitucional. Dessa forma, reconhece-se que

Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Matéria Constitucional

CESGRANRIO · 2024

A teoria da separação dos Poderes da República tem desempenhado um papel primordial na conformação do chamado Estado Constitucional.

 

Dessa forma, reconhece-se que

  1. a intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, em caso de ausência ou deficiência grave do serviço, não viola o princípio da separação dos poderes.
  2. a ingerência do Poder Judiciário é inadmissível na imposição de sanções pelo Poder Executivo, no que diz respeito ao incumprimento da obrigação de pagar tributos, em respeito ao princípio da separação dos poderes.
  3. o Poder Judiciário não pode determinar que a Administração Pública adote medidas assecuratórias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, pois essa determinação configura violação do princípio da separação dos poderes.
  4. o Poder Judiciário pode exercer o controle jurisdicional em relação à interpretação do sentido e do alcance de normas regimentais das Casas Legislativas.
  5. as comissões estaduais de inquérito (CPIs), em homenagem ao princípio da separação de poderes, não podem requerer quebra de sigilo de dados bancários.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Explicação da alternativa correta:

A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas voltadas à realização de direitos fundamentais, quando há ausência ou deficiência grave do serviço, não configura violação do princípio da separação dos poderes.


Por quê?


O Estado tem o dever constitucional de assegurar direitos fundamentais; quando a Administração pública não cumpre essa obrigação, o Judiciário exerce a tutela jurisdicional para garantir esses direitos.


Importante destacar a forma adequada dessa intervenção:


- A decisão judicial deve apontar finalidades e resultados a serem alcançados, e não substituir, de modo automático, o gestor público nas escolhas técnicas;
- Cabe à Administração apresentar um plano ou os meios para cumprir a determinação, preservando sua função e discricionariedade sobre os instrumentos administrativos;
- A intervenção deve observar os princípios da proporcionalidade e da motivação, evitando atos que ultrapassem o que seja necessário para efetivar o direito.


Exemplo prático: no âmbito da saúde, se falta pessoal essencial, o Judiciário pode determinar metas para a recomposição do quadro; a Administração, por sua vez, pode cumpri-las por meio de concurso público, remanejamento ou contratação adequada, conforme suas competências.


Conclusão: quando dirigida à efetivação de direitos fundamentais e delimitada por objetivos, prazos e medidas proporcionais, a atuação judicial atua como instrumento de proteção constitucional, sem ferir a separação dos poderes.

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