Questão FC239765
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de um direito fundamental autônomo à proteção de dados pessoais e à autodeterminação informacional, que restou positivado pela Em
Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Matéria Constitucional
VUNESP · 2024
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de um direito fundamental autônomo à proteção de dados pessoais e à autodeterminação informacional, que restou positivado pela Emenda Constitucional no 115, de 10 de fevereiro de 2022, por meio do artigo 5o, inciso LXXIX. Nesse contexto, assinale a alternativa correta quanto ao tratamento de dados pessoais pelo Estado brasileiro.
- Por força de evolução do tema, o Supremo Tribunal Federal fixou a tese de que houve mutação constitucional para reconhecer a subtração de eventuais aplicações ou interpretações que conflitem com o direito fundamental à proteção de dados pessoais, do campo semântico das normas.
- O fortalecimento da tutela da privacidade considera a natureza ostensiva ou reservada dos dados pessoais para fins de análise do direito à autodeterminação informática; assim, quando há o envolvimento de informações simples ou triviais, pelo baixo grau de sensibilidade, prevalece a interpretação que zela pelo princípio da eficiência e do interesse público envolvido.
- O compartilhamento de informações pessoais em atividades de inteligência deve observar a adoção de medidas proporcionais e estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, bem como a instauração de procedimento administrativo formal, acompanhado de prévia e exaustiva motivação, para permitir o controle de legalidade pelo Poder Judiciário.
- Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais, enquanto instrumento de tutela material do direito à autodeterminação informativa de retificação de dados ou para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, assegurando o controle de legalidade pelo Poder Judiciário.
- O tratamento de dados pessoais pelo Estado é essencial para a execução de políticas e prestação de serviços, razão pela qual prevalece o interesse público de acesso à informação como bem jurídico a ser tutelado no exercício de prerrogativas estatais típicas, em desfavor da privacidade e da proteção de dados pessoais.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa ressalta que, mesmo no âmbito de atividades de inteligência, o tratamento e o compartilhamento de dados pessoais pelo Estado não são ilimitados: devem observar o princípio da proporcionalidade e estrita necessidade, isto é, só autorizar-se ao nível estritamente indispensável para atingir o fim público legítimo.
Além disso, exige-se a instauração de procedimento administrativo formal com motivação prévia e exaustiva, o que produz registros técnicos e jurídicos capazes de subsidiar o controle de legalidade pelo Poder Judiciário e prevenir arbitrariedades.
Essas garantias, complementadas por sistemas de segurança, registro de acessos e responsabilização, alinham o uso estatal de dados às proteções constitucionais e aos princípios da LGPD, preservando a autodeterminação informacional do titular.
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