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Questão FC273570

João, fiscal de um Município do Estado Alfa, passava por uma rua de comércio popular com a família, quando seu filho avistou um comerciante vendendo balões de personagens infantis

Dos Crimes contra a Administração Pública (arts. 312 a 359 H do CP)

FGV · 2021

João, fiscal de um Município do Estado Alfa, passava por uma rua de comércio popular com a família, quando seu filho avistou um comerciante vendendo balões de personagens infantis e insistiu que queria um. João, então, se dirigiu ao vendedor e exigiu que ele lhe desse o balão pretendido pelo filho, que estava sendo vendido para outro casal, dizendo que trabalhava para a Prefeitura e que, se não fosse atendido, chamaria a guarda municipal para apreender os objetos e lavrar o auto próprio.


Ao proceder da forma narrada, João praticou, em tese, a conduta tipificada como:

  1. extorsão;
  2. concussão;
  3. corrupção passiva;
  4. exercício arbitrário das próprias razões;
  5. corrupção passiva, mas João terá sua tipicidade afastada pelo princípio da insignificância.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Na situação narrada, configura-se a Concussão, prevista no art. 316 do Código Penal. Trata‑se da exigência de vantagem indevida para si ou para terceiros, feita pelo agente em razão da sua condição funcional.

João exigiu que o vendedor entregasse o balão ao seu filho, valendo‑se da condição de fiscal e da ameaça de acionar a guarda municipal para apreender os objetos e lavrar auto. Há, portanto, a ligação entre a vantagem pretendida e o poder/instrumentos do cargo.

Importante: a conduta enquadra‑se mesmo que a vantagem seja para terceiro (o filho) e ainda que a ameaça ocorra fora do exercício imediato da função — bastando o vínculo entre a exigência e a função pública. Assim, João, em tese, praticou concussão.

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