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Questão FC283936

Considere a situação hipotética na qual, após um provável ataque cibernético, passa a ser veiculado nos meios de comunicação que Maria Joaquina, figura pública, é portadora de uma

Lei nº 13.709/2018 - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)

VUNESP · 2022

Considere a situação hipotética na qual, após um provável ataque cibernético, passa a ser veiculado nos meios de comunicação que Maria Joaquina, figura pública, é portadora de uma enfermidade transmissível incurável. Tempos depois, Maria Joaquina é indicada como suspeita de crime pela transmissão da moléstia em questão a uma segunda pessoa (artigo 131 do código penal). Com base nesta situação hipotética, indique a alternativa correta.

  1. Os protocolos de autorização para veiculação de dados não sensíveis devem ser mantidos mesmo na ocorrência de manifestação pública por atuação do próprio titular ou na necessidade de disponibilizá-los em decorrência do interesse público.
  2. Pela Lei nº 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), os dados pessoais sensíveis, uma vez autorizados pelo titular, podem ser utilizados para a criação de um banco de dados regulamentado pelos órgãos públicos.
  3. A exposição dos dados obtidos enquanto da atividade profissional é permitida em qualquer situação de disseminação do conhecimento científico, a despeito da autorização do paciente.
  4. O não cumprimento da norma de sigilo médico por justa causa considera a circunstância de embate envolvendo dois direitos, estando em um polo o sigilo, e em outro uma situação de perigo atual ou iminente.
  5. A Lei nº 12.527/2011 – acesso à informação pública (transparência), associada à superioridade hierárquica do poder público em relação ao interesse individual e a possibilidade de interação de forma rápida e incontrolável de informações em aplicativos e sites de redes sociais inviabiliza a proteção de dados envolvendo aspectos étnicos, ideológicos e de orientação sexual.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Sigilo médico é regra, mas não é absoluto: quando há conflito entre direitos, admite-se a flexibilização por justa causa.

Isso ocorre quando do outro lado está um risco concreto — um perigo atual ou iminente à vida ou à saúde de terceiros ou da coletividade, que justifica a divulgação limitada de informações.

A medida deve observar o princípio da proporcionalidade: ser necessária, adequada e o menos gravosa possível ao direito à privacidade.

No contexto penal (suspeita de transmissão de doença), a quebra do sigilo pode ser legitimada para investigação, proteção de potenciais vítimas ou atuação das autoridades de saúde.

Toda divulgação deve ser documentada, motivada e restrita ao escopo indispensável, preferencialmente via canais legais (autoridade sanitária, autoridades competentes).

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