Questão FC328917
Mario Luiz cede determinado imóvel a João Ferreira, aparentemente, a título gratuito. Acontece que, embora o contrato seja denominado como comodato, Mario está realizando a cobranç
Dos Fatos Jurídicos (arts. 104 a 232)
IBADE · 2022
Mario Luiz cede determinado imóvel a João Ferreira, aparentemente, a título gratuito. Acontece que, embora o contrato seja denominado como comodato, Mario está realizando a cobrança de determinados alugueis, o que faz denotar a natureza locatícia da relação entre as partes. Os valores têm sido efetivamente pagos por João. Dessa forma, é correto afirmar a existência do seguinte vício que macula o negócio jurídico:
- dolo.
- erro.
- lesão.
- coação.
- simulação.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Simulação é a declaração de vontade divergente da intenção real das partes, usada para ocultar o verdadeiro negócio jurídico. Trata‑se de um vício que torna o ato aparente distinto do negócio realmente celebrado.
No caso, o contrato figura como comodato, mas há cobrança e pagamento de alugueis, o que revela que a relação é de natureza locatícia. Essa discrepância entre o que se manifesta e o que efetivamente existe caracteriza a simulação relativa: as partes fingem um negócio para ocultar outro.
Nos termos do art. 167 do CC, o negócio simulado é nulo, podendo subsistir o que se dissimulou se for válido na forma e na substância. Assim, reconhecida a simulação, prevalece a natureza locatícia, salvo vícios do negócio oculto.
Indícios decisivos aqui: cobrança continuada de aluguéis e aceitação dos valores — sinais objetivos da vontade real diversa da declarada.
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