Questão FC355836
Considere o seguinte caso hipotético: Um funcionário da Câmara Municipal de São Joaquim da Barra, responsável pelo registro dos protocolos de entrada de documentos, atendendo a ped
Dos Crimes contra a Administração Pública (arts. 312 a 359 H do CP)
VUNESP · 2018
Considere o seguinte caso hipotético: Um funcionário da Câmara Municipal de São Joaquim da Barra, responsável pelo registro dos protocolos de entrada de documentos, atendendo a pedido de um advogado, deixa de praticar ato de ofício, não registrando a entrada de uma requisição judicial, com infração de dever funcional.
É
correto afirmar que o enunciado descreve um
- crime de prevaricação, sendo possível a desistência voluntária e o arrependimento eficaz, respondendo o servidor pelos atos praticados.
- crime de corrupção passiva privilegiada, sendo possível a desistência voluntária e o arrependimento eficaz, respondendo o servidor pelos atos praticados.
- crime de advocacia administrativa, não sendo possível o arrependimento posterior, somente o arrependimento eficaz, se o funcionário voluntariamente desistir de atender ao advogado e efetuar o registro.
- crime de prevaricação, sendo possível o arrependimento posterior até o recebimento da denúncia, reduzindo- se a pena de um a dois terços.
- crime de advocacia administrativa, sendo possível o arrependimento posterior até o recebimento da denúncia, reduzindo-se a pena de um a dois terços.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
B
Comentário do professor
Trata‑se de corrupção passiva privilegiada, prevista no art. 317, §2º do Código Penal: o servidor “deixa de praticar ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem”. Aqui, o não registro da requisição judicial a pedido do advogado preenche esses elementos.
Quanto às formas de extinção ou atenuação da ação, são aplicáveis a desistência voluntária e o arrependimento eficaz, nos termos do art. 15 do CP: se o agente, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, responde apenas pelos atos já praticados.
Assim, a conduta descrita configura a corrupção passiva privilegiada, e, caso o servidor evite a consumação por desistir ou reparar o ato, sofrerá responsabilização apenas pelos atos anteriormente realizados.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em