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Questão FC417688

Carolina Rosa, 42 anos de idade, residente e domiciliada em Belo Horizonte, por meio de escritura pública, autoriza o transplante de seus órgãos após a sua morte, desde que suas fi

Das Pessoas (arts. 1º a 78)

FGV · 2023

Carolina Rosa, 42 anos de idade, residente e domiciliada em Belo Horizonte, por meio de escritura pública, autoriza o transplante de seus órgãos após a sua morte, desde que suas filhas recebam a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais) da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, FHEMIG, por meio da MG Transplantes.

 

Seis meses após a realização da escritura pública, Carolina é informada, oficialmente, por uma analista de gestão da FHEMIG, ser inviável o pagamento pelo transplante. Inconformada, Carolina realiza nova escritura pública revogando a disposição anterior.

 

A respeito da hipótese apresentada, segundo o Direito Civil brasileiro, assinale a afirmativa correta.

  1. A informação oficial da analista de gestão da FHEMIG está errada, pois o Código Civil permite o pagamento pelo transplante de órgãos, desde que ocorra após a morte do doador.
  2. O ato de disposição do corpo após a morte é irrevogável por disposição legal expressa.
  3. É inválida, para quaisquer fins, a disposição do próprio corpo para depois da morte.
  4. O pagamento para disposição do corpo após a morte é válido, desde que siga a tabela da FHEMIG publicada na Internet.
  5. O ato de disposição do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte pode ser livremente revogado a qualquer tempo.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Fundamento: a disposição do próprio corpo para fins de transplante após a morte constitui um ato personalíssimo e voluntário, cuja eficácia não torna imutável a vontade do doador.

Revogabilidade: esse ato pode ser revogado a qualquer tempo, mesmo quando formalizado por escritura pública. A revogação deve refletir manifestação de vontade livre e inequívoca da pessoa, podendo ser feita por novo instrumento público ou outro meio hábil.

Gratuidade: a lei exige que a disposição seja gratuita, de modo que cláusulas condicionadas a pagamento não conformam a natureza altruística da doação e não impedem a revogação pelo disponente.

Assim, Carolina teve o direito de anular a autorização inicial ao praticar nova escritura pública revogatória.

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