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Questão FC417889

Alberto é proprietário de um imóvel residencial no centro da cidade de Porto Alegre, atualmente cedido em locação a Vilma, uma senhora muito idosa que, segundo Alberto apurou, enco

Dos Fatos Jurídicos (arts. 104 a 232)

FGV · 2023

Alberto é proprietário de um imóvel residencial no centro da cidade de Porto Alegre, atualmente cedido em locação a Vilma, uma senhora muito idosa que, segundo Alberto apurou, encontra-se em frágeis condições de saúde. Prevendo que um falecimento iminente de Vilma é bastante provável e desejando preservar sua renda mensal proporcionada pelo valor do aluguel do imóvel, Alberto celebrou um contrato com seu amigo Rodrigo, por meio do qual aquele se obrigava a ceder o imóvel em locação para este, caso a atual inquilina viesse a falecer antes do final do ano corrente.

 

Nesse caso, é correto afirmar que Rodrigo:

  1. já é titular dos direitos a que visa o contrato de locação, mas o exercício desses direitos encontra-se, por ora, suspenso;
  2. já pode exercer os direitos a que visa o contrato de locação, pois os negócios entre vivos são exequíveis imediatamente;
  3. ainda não adquiriu nenhum direito visado pelo contrato de locação, ostentando mera expectativa de fato;
  4. pode exercer desde já medidas voltadas à conservação dos direitos visados pelo contrato, os quais ainda não adquiriu;
  5. adquirirá retroativamente os direitos a que visa o contrato de locação quando Vilma falecer, pois o negócio é de execução periódica.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Trata‑se de contrato condicionado à condição suspensiva (o falecimento de Vilma): enquanto a condição não se realiza, Rodrigo não adquire o direito pleno, tendo apenas uma expectativa de direito.

O Código Civil autoriza, entretanto, que o titular dessa expectativa pratique atos destinados à conservação do direito (art. 130). Isso significa que Rodrigo pode adotar providências preparatórias e protetivas sem antecipar a eficácia do contrato.

Exemplos: reunir e preservar documentos, provar a existência do negócio, comunicar e notificar partes, contratar medidas judiciais ou cautelares que evitem dano ao objeto do futuro contrato.

O limite é não exercer ainda os poderes inerentes ao direito adquirido (como posse ou percepção de rendas), que só surgirão com o advento da condição.

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