Questão FC418051
Recentemente, Ricardo, empresário aposentado e já viúvo, recebeu de seu único filho, Roberto, recém-casado, a notícia de que se tornaria avô. Para que Roberto tivesse um espaço mel
Dos Fatos Jurídicos (arts. 104 a 232)
FGV · 2022
Recentemente, Ricardo, empresário aposentado e já viúvo, recebeu de seu único filho, Roberto, recém-casado, a notícia de que se tornaria avô. Para que Roberto tivesse um espaço melhor para a família que começava a crescer, Ricardo decidiu vender para ele um dos vários imóveis dos quais é proprietário. Para ajudar o filho, Ricardo cobrou um preço módico, a ser dividido em doze parcelas, e autorizou que a primeira delas fosse paga apenas dois anos após a celebração do contrato de compra e venda. Em gratidão ao pai e buscando oferecer maior segurança a ele, Roberto fez constar do contrato uma cláusula por meio da qual renunciava, desde logo, a qualquer prazo prescricional relativo à obrigação de pagar o preço do imóvel que pudesse beneficiá-lo.
À luz do direito civil brasileiro, essa cláusula é:
- ineficaz, porque, sendo Roberto descendente de Ricardo, a lei já determina que não corre a prescrição entre eles;
- anulável, mas não prejudica a validade do restante do contrato, por força do princípio da conversão dos negócios;
- válida, mas terá sua eficácia suspensa, já que as partes estipularam termo no contrato;
- nula, uma vez que foi pactuada antes de a prescrição efetivamente se consumar;
- inválida, pois a prescrição não pode ser suspensa nem interrompida, ao contrário da decadência.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
D
Comentário do professor
Nula. A cláusula é vedada pelo art. 191 do CC e configura hipótese de nulidade prevista no art. 166, VII, pois a renúncia da prescrição só tem validade quando a prescrição já se houver consumado.
O dispositivo admite renúncia expressa ou tácita, mas condiciona-a a fato pretérito: não se admite renúncia prévia ou antecipada, porque permitiria às partes, por vontade própria, tornar a pretensão imprescritível.
Trata‑se de norma de ordem pública, destinada a proteger interesses de terceiros e a integridade do patrimônio; ademais, a validade da renúncia depende de não prejudicar terceiro e da capacidade do renunciante.
Logo, a cláusula pactuada antes da consumação da prescrição é inválida e não produz efeitos jurídicos.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em