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Questão FC418245

Lucas e Ana celebraram contrato particular de compra e venda de veículo usado, sendo ajustado o pagamento à vista e a transferência do bem no órgão competente, bem como a tradição

Dos Contratos em Geral (arts. 421 a 480)

FGV · 2024

Lucas e Ana celebraram contrato particular de compra e venda de veículo usado, sendo ajustado o pagamento à vista e a transferência do bem no órgão competente, bem como a tradição para o dia 15 de julho de 2024. As obrigações foram cumpridas por ambas as partes. No entanto, cerca de 10 dias após a compra e a tradição, o veículo apresentou diversos problemas mecânicos que não haviam sido informados por Ana durante as negociações e celebração do contrato que, ao contrário, afirmou que o veículo estava em perfeito estado e que ela havia sido a única proprietária do veículo. Ao levar o carro a um mecânico, foi constatado que o veículo estava com o motor comprometido e precisaria de um reparo de custo muito elevado. Diante disso, Lucas procurou Ana para informar sobre os problemas do carro e informar sua intenção de enjeitar a coisa, requerendo a restituição dos valores pagos. Ana nega qualquer responsabilidade, alegando que o veículo estava em perfeito estado no momento da venda e não tinha conhecimento dos problemas mecânicos. Diante do impasse, Lucas procura assessoria jurídica especializada a fim de conhecer os seus direitos, sendo informado que

  1. ante à constatação dos graves defeitos no veículo, não informados por Ana durante as negociações, Lucas tem o direito de pleitear a rescisão do contrato de compra e venda do veículo com Ana, independentemente do conhecimento da vendedora sobre tais vícios.
  2. o desconhecimento de Ana sobre a existência dos defeitos do veículo, a isenta de qualquer responsabilidade, recaindo sobre o Lucas todo e qualquer ônus, seja por sua falta de diligência, seja em razão da regra res perit domino.
  3. Ana será responsabilizada pelos vícios do veículo, se comprovado que ela tinha conhecimento dos problemas e mesmo assim omitiu essa informação no momento da negociação.
  4. inexistindo cláusula especial de garantia no contrato celebrado entre as partes, Lucas não tem o direito de exigir abatimento no preço ou rescisão do contrato.
  5. independentemente da comprovação de que Ana conhecia dos defeitos do veículo e os omitiu, será obrigada a restituir os valores recebidos, além de indenizar Lucas por perdas e danos e por todas as despesas do contrato.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Diante de defeitos mecânicos graves não informados (ou ocultos) que tornam o veículo impróprio ao uso ou lhe diminuem substancialmente o valor, Lucas tem o direito de pleitear a rescisão do contrato e a restituição dos valores pagos. Esse direito decorre da regra que autoriza o adquirente a enjeitar a coisa viciada quando o vício a torna inadequada ao fim a que se destina.

O fato de Ana desconhecer esses defeitos não afasta a possibilidade de Lucas rescindir o negócio: o conhecimento do vendedor apenas influencia as consequências patrimoniais, não o direito de rejeitar o bem.

Assim, se comprovados os vícios ocultos, Lucas pode exigir a devolução do preço e a anulação do contrato; se ficar demonstrado que Ana sabia do vício, ela responderá também por perdas e danos, ao passo que, se não sabia, restituirá o preço e as despesas do contrato.

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