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Questão FC418383

Kássia, receosa com as brigas que acontecem rotineiramente nas assembleias do condomínio em que mora, outorgou a Carlos, segurança da loja em que ela trabalha, procuração por instr

Das Várias Espécies de Contrato (arts. 481 a 853)

FGV · 2023

Kássia, receosa com as brigas que acontecem rotineiramente nas assembleias do condomínio em que mora, outorgou a Carlos, segurança da loja em que ela trabalha, procuração por instrumento público para que ele a representasse perante os demais condomínios, tendo-o orientado sobre como votar em cada um dos itens da pauta. Carlos, contudo, discordando das decisões de Kássia, por entender que eram prejudiciais a ela, votou em sentido contrário em todos os assuntos objeto de deliberação, o que acabou por beneficiá-la.

 

Diante dos fatos hipotéticos narrados e da disciplina jurídica do contrato de mandato, é correto afirmar que

  1. Carlos, apesar de ter procedido contra os poderes do mandato, não será considerado mero gestor de negócios, pois sua atuação beneficiou Kássia.
  2. Carlos poderá substabelecer o mandato a ele outorgado por Kássia, desde que observe a mesma forma empregada na procuração.
  3. Carlos não poderá ser considerado mero gestor de negócios porque, em que pese ter procedido contra os poderes a ele outorgado, não aceitou expressamente o mandato conferido por Kássia.
  4. Carlos, na qualidade de mandatário em contrato de mandato em termos gerais, poderá realizar todos os atos de representação de Kássia, inclusive transigir, mas não poderá alienar o imóvel.
  5. Carlos, por ter procedido contra os poderes do mandato, independentemente de sua atuação ter beneficiado Kássia, será considerado mero gestor de negócios, enquanto Kássia não ratificar os atos por ele praticados.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Carlos atuou contra os limites da procuração que recebeu, o que, nos termos do art. 665 do Código Civil, importa em sua qualificação como mero gestor de negócios até que Kássia ratifique os atos.

O mandato delega poderes determinados ao mandatário para agir em nome do mandante; quando o mandatário excede ou procedeu contra esses poderes, deixa de agir como representante e passa a gerir negócios alheios sem autorização.

Importante: o fato de suas decisões terem beneficiado Kássia não altera essa regra. Sem a ratificação do mandante, os atos praticados por Carlos não se tornam automaticamente válidos como delegados, cabendo-lhe assumir os riscos e as responsabilidades típicas do gestor até a eventual confirmação.

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