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Questão FC490515

A Lei Federal nº 8.429/1992 dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal.

Questões sem classificação de assunto (Direito Administrativo (Doutrina e Jurisprudência))

Instituto AOCP · 2022

A Lei Federal nº 8.429/1992 dispõe sobre as sanções aplicáveis em virtude da prática de atos de improbidade administrativa, de que trata o § 4º do art. 37 da Constituição Federal. Com base na referida legislação, assinale a alternativa correta.

  1. Configura improbidade a ação ou omissão decorrente de divergência interpretativa da lei, baseada em jurisprudência, ainda que não pacificada, mesmo que não venha a ser posteriormente prevalecente nas decisões dos órgãos de controle ou dos tribunais do Poder Judiciário.
  2. O mero exercício da função ou desempenho de competências públicas, sem comprovação de ato doloso com fim ilícito, não afasta a responsabilidade por ato de improbidade administrativa.
  3. Os sócios, os cotistas, os diretores e os colaboradores de pessoa jurídica de direito privado respondem pelo ato de improbidade que venha a ser imputado à pessoa jurídica, independentemente de haver participação e benefícios diretos.
  4. Independentemente de integrar a administração indireta, estão sujeitos às sanções da Lei nº 8.429/1992 os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade privada para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra no seu patrimônio ou receita atual, limitado o ressarcimento de prejuízos, nesse caso, à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos.
  5. O sucessor ou o herdeiro daquele que causar dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos à obrigação de repará-lo sem limitação ao valor da herança ou do patrimônio transferido.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A Lei nº 8.429/1992 (alterada pela Lei nº 14.230/2021) sujeita aos seus efeitos os atos praticados contra o patrimônio de entidade privada cuja criação ou custeio contou com o concurso do erário, independente de integrar a administração indireta.
Isso permite a responsabilização por improbidade mesmo quando a vítima for pessoa jurídica privada, desde que haja vínculo financeiro público.

O ressarcimento exigido é limitado: o dever de reparar alcança apenas a repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos, isto é, o prejuízo correspondente à parcela financiada pelo poder público (não se estende automaticamente ao dano total sofrido pela entidade privada).

Na prática, a regra preserva o interesse público, responsabilizando agentes pelos efeitos sobre o erário e mantendo proportionalidade entre a sanção e a participação do poder público no patrimônio ou na receita da entidade.

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