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Questão FC56484

Bruno, advogado, compareceu à audiência de conciliação acompanhado de seu cliente Carlos, tendo-lhe sido conferidos poderes para transacionar em juízo ou fora dele. Na audiência, f

Legislação Profissional de Advocacia (OAB)

FGV · 2023

Bruno, advogado, compareceu à audiência de conciliação acompanhado de seu cliente Carlos, tendo-lhe sido conferidos poderes para transacionar em juízo ou fora dele. Na audiência, foi oferecida proposta de acordo pela parte adversa, que não foi aceita por Bruno, visto que conflitava flagrantemente com os interesses de seu cliente.
Contrariado, o magistrado cassou a palavra de Bruno, determinando que não se manifestasse mais durante a audiência, visto que a opção de aceitar ou não o acordo seria de decisão única de Carlos, sem possibilidade de influência de seu patrono.
Nesse contexto, de acordo com o Estatuto da Advocacia e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), assinale a afirmativa correta.
  1. O magistrado agiu corretamente, considerando que tem o dever de manter a ordem dos trabalhos e, em sua atuação, deve fomentar a solução pacífica dos conflitos, que estava sendo inviabilizada pela resistência de Bruno ao acordo.
  2. A palavra de Bruno não poderia ter sido cassada sob o fundamento de que aceitar ou não o acordo é de decisão única de Carlos sem possibilidade de influência de seu patrono, vez que o advogado é indispensável à administração da justiça e deve orientar seu cliente.
  3. Em insistindo em falar com seu cliente sobre a aceitação ou não do acordo, a conduta de Bruno acarretará responsabilidade perante a OAB, em razão da violação da ordem hierárquica do magistrado.
  4. Em caso de manutenção da insubordinação de Bruno, o juiz poderá determinar que a seccional competente da Ordem dos Advogados do Brasil aplique a pena de suspensão das atividades de advocacia por ele desempenhadas, por prazo não inferior a dois anos.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A opção B está correta porque o advogado exerce função essencial no processo, sendo indispensável à administração da justiça. Mesmo quando a decisão final sobre aceitar acordo cabe ao cliente, o patrono tem o dever de orientar seu constituinte e contribuir para o convencimento do julgador, atuando em defesa dos interesses do assistido.

Portanto, cassar sumariamente a palavra do causídico sob o argumento de que só o cliente pode decidir impede a plena atuação do advogado e ofende seu papel constitucional-legal. O advogado deve poder expor razões, esclarecer riscos e assessorar a decisão do cliente, exercendo um múnus público no processo.

Em suma, a vedação ao silenciamento do advogado protege a ampla defesa e a adequada prestação jurisdicional.

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