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Questão FC56755

Carlos, praticante de religião politeísta, é internado em hospital de orientação cristã e solicita assistência espiritual a ser conduzida por um líder religioso de sua crença. Os p

Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 5º a 17 da CF/1988)

FGV · 2023

Carlos, praticante de religião politeísta, é internado em hospital de orientação cristã e solicita assistência espiritual a ser conduzida por um líder religioso de sua crença.
Os parentes de Carlos, mesmo cientes de que a assistência solicitada se resumiria a uma discreta conversa, estão temerosos de que a presença do referido líder coloque em risco a permanência de Carlos no hospital, em virtude de representar uma vertente religiosa não aderente à fé adotada pela instituição hospitalar.
Os parentes de Carlos o procuram, como advogado(a), para conhecer os procedimentos adequados à situação narrada.
Você os informou que, segundo o sistema jurídico-constitucional brasileiro, o hospital
  1. pode negar a autorização para a assistência espiritual em religião diversa daquela preconizada pela instituição, embora não fosse o caso de Carlos perder a vaga.
  2. não pode negar o apoio espiritual solicitado, mesmo que a assistência seja prestada em bases religiosas diversas daquela oficialmente preconizada pelo hospital.
  3. somente está obrigado a autorizar a assistência religiosa caso já tivesse permitido que sacerdote de outra religião exercesse atividades religiosas em suas instalações.
  4. tem, como instituição privada, total autonomia para estabelecer regras para situações como esta, podendo permitir ou negar o pedido, de acordo com seu regulamento interno.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A resposta está correta porque a Constituição garante a prestação de assistência religiosa em entidades de internação coletiva: o art. 5º, VII assegura esse direito, e o art. 5º, VI protege a liberdade de crença.

Mesmo sendo hospital privado e tendo orientação religiosa, a instituição não pode recusar o acesso de líder religioso escolhido pelo paciente sem afrontar direitos fundamentais. A vedação generalizada configuraria discriminação religiosa e violação da dignidade da pessoa humana.

Há possibilidade de a instituição estabelecer, de forma razoável e proporcional, normas que preservem segurança e ordem, mas tais regras não podem impedir, por motivo de fé diversa, a assistência espiritual solicitada pelo paciente.

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