FC ConcursosFC Concursos

Questão FC579096

Considere que, no dia 01 de março de 2020, foi promulgada a Lei Estadual n° 10.000/2020, a qual proibiu a Administração Pública de contratar obras e serviços com empresas que tenha

Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Matéria Constitucional

VUNESP · 2025

Considere que, no dia 01 de março de 2020, foi promulgada a Lei Estadual n° 10.000/2020, a qual proibiu a Administração Pública de contratar obras e serviços com empresas que tenha tido empregado condenado, com trânsito em julgado, por crime ou contravenção que se relacionem com a prática de atos discriminatórios.

 

De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a Lei Estadual n° 10.000/2020 é

  1. constitucional, pois concretiza o princípio da moralidade no âmbito da administração estadual, como preceitua o caput do art. 37 da Constituição Federal.
  2. constitucional apenas se tiver origem parlamentar, pois a iniciativa de tal matéria é da competência exclusiva do Poder Legislativo.
  3. constitucional, pois concretiza a vedação ao racismo, estipulando condição legalmente cabível.
  4. inconstitucional, pois ofende diretamente o princípio da intransmissibilidade da pena, expressamente previsto no rol do art. 5° da Constituição Federal.
  5. dotada de inconstitucionalidade material orgânica, pois compete à União, exclusivamente, editar leis que versem sobre licitação.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

D

Comentário do professor

A alternativa está correta: a lei estadual é inconstitucional porque afronta o princípio da intransmissibilidade da pena previsto no art. 5º, XLV da Constituição.

Esse princípio veda que sanções penais ou suas consequências atinjam terceiros que não foram condenados. Ao impedir a Administração de contratar com empresa em razão da condenação transitada em julgado de um empregado, a norma transfere a pena da pessoa natural para a pessoa jurídica.

Além disso, a vedação geral fere o art. 37, XXI, pois restrições ao acesso à licitação só são justificáveis quando relacionadas à qualificação técnica ou econômica necessária ao contrato.

O Supremo, na ADI 3.092/SP, também entendeu que a medida viola a responsabilidade pessoal e o devido processo legal, por impor efeitos sem ato administrativo ou contraditório prévio.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo