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Questão FC579246

Regina, consumidora, ajuizou ação indenizatória em face do Mercado Delta, sustentando que o réu lhe vendeu um pacote de carne impróprio para consumo. Em sede de saneamento, diante

Lei nº 8.078/1990 - Código de Defesa do Consumidor (CDC)

FGV · 2025

Regina, consumidora, ajuizou ação indenizatória em face do Mercado Delta, sustentando que o réu lhe vendeu um pacote de carne impróprio para consumo. 

 

Em sede de saneamento, diante das peculiaridades da causa em razão da maior facilidade do réu em cumprir ônus probatório, o Juízo determinou a inversão do ônus da prova, impondo ao réu o ônus de comprovar que o produto vendido era adequado para consumo. 

 

Tomando tal caso como premissa, assinale a afirmativa correta.

  1. É descabida a inversão do ônus da prova, em razão de tal ônus ser atribuído integral e exclusivamente ao autor.
  2. As razões do Juízo para determinar a inversão do ônus da prova são plausíveis, sendo válida a atribuição do ônus probatório ao Mercado Delta.
  3. A inversão do ônus da prova não seria cabível no caso concreto, em razão de as razões apontadas pelo Juízo não serem suficientes para permitir tal inversão.
  4. Além da inversão do ônus da prova por decisão judicial, Regina e o Mercado Delta poderão convencionar sobre tal distribuição, ainda que a convenção torne excessivamente difícil a uma das partes o exercício do direito.
  5. É prescindível a inversão do ônus da prova nas ações que versem sobre relações de consumo, pois há presunção legal de veracidade dos fatos alegados pelo autor.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A inversão do ônus da prova é prevista no Código de Defesa do Consumidor como instrumento de facilitação da defesa do consumidor quando há verossimilhança da alegação ou hipossuficiência do autor.

O juiz pode, de forma fundamentada, atribuir ao fornecedor o dever de provar a adequação do produto quando este detém maior facilidade de obtenção das provas. Essa medida visa equilibrar a relação processual e viabilizar a efetiva proteção do consumidor.

No caso, Regina alegou ter recebido carne imprópria e o estabelecimento Mercado Delta possui acesso a elementos probatórios como laudos, registros de lote e controle de armazenamento. Assim, é plausível e válida a atribuição do ônus probatório ao mercado.

Tal decisão deve, contudo, preservar que a desincumbência não se torne impossível ou excessivamente difícil para a parte onerada.

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