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Questão FC642049

Durante uma forte tempestade, Rogério, proprietário de uma fazenda, avista de sua janela que um raio atingiu a cerca elétrica próxima ao curral, provocando um curto-circuito e faís

Da Responsabilidade Civil (arts. 927 a 954)

FGV · 2026

Durante uma forte tempestade, Rogério, proprietário de uma fazenda, avista de sua janela que um raio atingiu a cerca elétrica próxima ao curral, provocando um curto-circuito e faíscas que rapidamente iniciam um incêndio na vegetação seca. O fogo ameaça atingir o galpão de máquinas da fazenda vizinha, pertencente a Helena, situado a cerca de cinquenta metros do local.

 

Para conter o avanço das chamas, Rogério decide, de forma imediata, derrubar com seu trator parte do muro da propriedade de Helena e utilizar o caminho resultante para passar o veículo com um tanque d’água, conseguindo assim conter o fogo.

 

Em razão do ocorrido, Helena ajuíza ação de reparação civil contra Rogério, alegando dano material pelo muro destruído e abuso no exercício do direito de defesa de sua propriedade.

 

Com base no Código Civil, assinale a afirmativa correta quanto à responsabilidade civil de Rogério.

  1. Rogério cometeu ato ilícito, pois destruiu bem alheio de forma voluntária, sendo irrelevante que sua conduta tenha evitado danos maiores, já que o Código Civil não admite justificativas para a destruição de propriedade de terceiro.
  2. Rogério não cometeu ato ilícito, pois exerceu legitimamente seu direito de defesa da propriedade, sendo irrelevante o fato de ter destruído bem pertencente a terceiro.
  3. Rogério cometeu ato ilícito, mas é isento de responsabilidade civil, pois o estado de necessidade exclui o dever de indenizar, independentemente da extensão do dano causado ao bem de Helena.
  4. Rogério não cometeu ato ilícito, pois agiu em estado de necessidade para remover perigo iminente, hipótese de exclusão de ilicitude, desde que se comprove que sua conduta era absolutamente necessária e não excedeu os limites do indispensável para evitar o dano.
  5. Rogério praticou abuso de direito, pois, ao optar por destruir o muro de Helena, excedeu manifestamente os limites impostos pela boa-fé e pelos bons costumes, configurando ato ilícito, mesmo diante do perigo iminente.
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Gabarito

D

Comentário do professor

Art. 188 CC prevê que a deterioração de coisa alheia para remover perigo iminente não é ato ilícito quando se trata de estado de necessidade.


No caso, Rogério derrubou parte do muro para abrir passagem ao trator com o tanque d’água visando evitar que o incêndio atingisse o galpão vizinho. Tal conduta enquadra‑se no estado de necessidade, pois visava a resguardar bem jurídico maior frente a perigo atual e grave.


Entretanto, a exclusão da ilicitude depende de requisitos: a medida deve ser absolutamente necessária e não pode exceder os limites do indispensável. É preciso provar a exigência da intervenção e a proporcionalidade entre o mal evitado e o dano causado.


Se esses requisitos se confirmarem, não há responsabilidade civil de Rogério; se houver excesso, responderá pela reparação do prejuízo.

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