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Questão FC642587

Em 02 de janeiro de 2024, quando vigorava a Lei “A”, que previa pena de 2 a 6 anos de reclusão para o crime de descaminho, foi promulgada a Lei “B” que vigorou durante o período de

Lei Penal

FGV · 2026

Em 02 de janeiro de 2024, quando vigorava a Lei “A”, que previa pena de 2 a 6 anos de reclusão para o crime de descaminho, foi promulgada a Lei “B” que vigorou durante o período de Estado de Sítio decretado em razão de grave comoção nacional.

 

A Lei “B” aumentou a pena do referido delito para 4 a 10 anos de reclusão. Em 15 de fevereiro de 2024, ainda sob a égide da Lei “B” e do Estado de Sítio, Mário praticou o crime de descaminho.

 

Em 20 de maio de 2024, cessou o Estado de Sítio, contudo, em 10 de junho de 2024, entrou em vigor a Lei “C”, que alterou a denominação da conduta praticada por Mário. Mário vem a ser processado e julgado criminalmente durante a vigência da Lei “C”.

 

Diante de tal situação hipotética, assinale a afirmativa correta.

  1. Aplica-se a Mário a pena prevista na Lei “C”, pois deve prevalecer a lei vigente ao tempo do julgamento.
  2. Mário deverá ser beneficiado pela Lei “C” com a extinção da punibilidade, uma vez que a alteração provocada retroage para beneficiar o réu.
  3. Mário responderá pela pena prevista na Lei “B”, que, validamente, continua regendo os fatos praticados durante sua vigência.
  4. Mário responderá com base na Lei “A” por força do princípio da continuidade da lei penal, segundo a qual se considera praticado o crime no momento da conduta.
  5. Mário não poderá ser processado criminalmente, pois a Lei “B” é considerada uma lei intermitente, o que justifica a extinção da punibilidade dos fatos anteriores.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Explicação:

A conduta de Mário foi praticada em 15/02/2024, quando vigorava a Lei B. Pelo princípio temporal do crime, chamado teoria da ação, o momento do crime é o da ação, que define a lei aplicável.


Além disso, a Lei B foi editada em contexto de Estado de Sítio, caracterizando-a como norma excepcional/temporária e dotando-a de ultratividade. Nos termos do art. 3º do Código Penal, a lei excepcional ou temporária continua a regular os fatos praticados durante sua vigência mesmo após cessada a circunstância que a motivou.


Portanto, Mário responderá pela pena prevista na Lei B, que validamente rege o fato cometido sob sua vigência.

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