Questão FC642614
Cristina, 42 anos de idade, escrivã da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, em 23 de maio de 2024, recebe ordem de seu superior hierárquico para auxiliá-lo na prática de atos
Teoria do Crime
IDECAN · 2026
Cristina, 42 anos de idade, escrivã da Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, em 23 de maio de 2024, recebe ordem de seu superior hierárquico para auxiliá-lo na prática de atos de tortura contra Ricardo, 35 anos de idade, detido legalmente por suposto envolvimento nos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Por ser uma servidora pública cumpridora das ordens de seus superiores hierárquicos, Cristina cumpre a ordem de seu superior. Com base nos fatos narrados, indique a afirmativa correta.
- Cristina não cometeu crime por ter agido amparada pela causa excludente da culpabilidade ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico.
- Cristina não cometeu crime por ter agido amparada pela causa excludente da tipicidade ordem manifestamente ilegal de superior hierárquico.
- Cristina não cometeu crime pelo fato de que Ricardo fora detido legalmente e, supostamente, teria cometido crimes graves.
- Cristina e seu superior hierárquico deverão responder, criminalmente, pelos crimes cometidos, tendo em vista tratar-se de ordem manifestamente ilegal de superior hierárquico.
- Cristina e seu superior hierárquico deverão responder, criminalmente, pelos crimes cometidos, tendo em vista que seus comportamentos estão amparados pela causa excludente da culpabilidade inexigibilidade de conduta diversa.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Cristina e seu superior responderão criminalmente porque a ordem para praticar tortura é ordem manifestamente ilegal e configura crime evidente.
Na hipótese de obediência hierárquica, a excludente da culpabilidade só opera quando a ordem recebida parece lícita; se a ordem é nitidamente criminosa, o subordinado tem o dever de recusa e não fica isento de responsabilidade ao cumpri‑la.
Também não se verifica inexigibilidade de conduta diversa aqui, pois não há coação moral irresistível (ameaça grave e iminente que anule a vontade). Assim, tanto quem determinou quanto quem executou o ato respondem pelos crimes praticados.
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