Questão FC717681
Leia o texto a seguir para responder à questão Literatura de jornal (o que é a crônica) Artur da Távola A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou
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Instituto AVALIA · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão
Literatura de jornal (o que é a crônica)
Artur da Távola
A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida, penduradas à espera do consumo de outros como ele, enrustidos, talvez, na manifestação dos sentimentos, ideias, verdades e pensamentos.
Já escrevi mais de cinco mil crônicas. E a uns estudantes que me pediram uma síntese sobre o gênero, respondi o seguinte:
É o samba da literatura. É ao mesmo tempo a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Tudo isso ela contém, a polivalente. Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.
É compacta, rápida, direta, aguda, penetrante, instantânea (dissolve-se com o uso diário), biodegradável, (...) oxalá perfume, saudade e algum brilho de vida no sorriso ou na lágrima do leitor. A literatura do jornal. O jornalismo da literatura. É a pausa de subjetividade, ao lado da objetividade da informação do restante do jornal. Um instante de reflexão, diante da opinião peremptória do editorial.
É tímida e perseverante. Não se engalana com os grandes edifícios da literatura, mas pode conter alguns de seus melhores momentos. Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa. Não se empavona com a erudição dos tratados, mas pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.
Para ser boa, não deve ser mastigada. Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma.
Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.
Terna como a amamentação e insegura como toda primeira vez. Religiosa como a portadora do mistério e agnóstica como um livre pensador. A crônica nos obriga à síntese, à capacidade de condensar emoções em parágrafos-barragem. Faz-nos prosseguir, mesmo quando nos sentimos repetitivos. É, pois, a expressão jornalístico-literária da necessidade de não desistir de ser e sentir. A crônica é o samba da literatura.
Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044.
“Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.” Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita totalmente correta do trecho apresentado, com alterações na pontuação.
- Deve ser: rápida como a percepção e demorada como a recordação, verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora, suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.
- Deve ser rápida, como a percepção e demorada, como a recordação; verdadeira, como um poente e esperançosa, como a aurora; suave, como pele de mulher amada e irritada, como uma criança com fome.
- Deve ser – rápida como a percepção e – demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.
- Deve ser rápida como, a percepção e demorada como, a recordação. Verdadeira como, um poente e esperançosa como, a aurora. Suave como, pele de mulher amada e irritada como, uma criança com fome.
- Deve ser rápida (como a percepção) e demorada (como a recordação). Verdadeira (como um poente) e esperançosa (como a aurora). Suave (como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome).
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa emprega corretamente o dois-pontos após "Deve ser", porque ele introduz uma enumeração de qualidades explicativas e não uma nova frase independente.
As características seguem em sequência, separadas por vírgulas, o que preserva o paralelismo sintático: cada item tem a mesma estrutura (adjetivo + como + complemento), mantendo coesão e ritmo.
Não se coloca vírgula antes de como quando este estabelece comparação integrada ao predicado; aí, a locução comparativa funciona como parte do termo e não como inciso.
Também é adequado usar letra minúscula depois do dois-pontos, pois não se trata de período independente, e as vírgulas garantem fluidez sem fragmentar o sentido.
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