Questão FC717682
Leia o texto a seguir para responder à questão Literatura de jornal (o que é a crônica) Artur da Távola A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou
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Instituto AVALIA · 2025
Leia o texto a seguir para responder à questão
Literatura de jornal (o que é a crônica)
Artur da Távola
A crônica é a expressão das contradições da vida e da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida A), penduradas à espera do consumo de outros como ele, enrustidos, talvez, na manifestação dos sentimentos, ideias, verdades e pensamentos.
Já escrevi mais de cinco mil crônicas B). E a uns estudantes que me pediram uma síntese sobre o gênero, respondi o seguinte:
É o samba da literatura. É ao mesmo tempo a poesia, o ensaio, a crítica, o registro histórico, o factual, o apontamento, a filosofia, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor. Tudo isso ela contém, a polivalente. D) Direta e simples como um samba. Profunda como a sinfonia.
É compacta, rápida, direta, aguda, penetrante, instantânea (dissolve-se com o uso diário), biodegradável, (...) oxalá perfume, saudade e algum brilho de vida no sorriso ou na lágrima do leitor. A literatura do jornal. O jornalismo da literatura. É a pausa de subjetividade, ao lado da objetividade da informação do restante do jornal. Um instante de reflexão, diante da opinião peremptória do editorial.
É tímida e perseverante. Não se engalana com os grandes edifícios da literatura, mas pode conter alguns de seus melhores momentos. Não se enfeita com os altos sistemas de pensamento, mas pode conter a filosofia do cotidiano e da vida que passa. Não se empavona com a erudição dos tratados, mas pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios E).
Para ser boa, não deve ser mastigada. C) Deve dissolver-se na boca do leitor, deixando um sabor de vivência comum. Deve parecer que já estava escrita há muito tempo na sensibilidade de quem a lê e foi apenas lembrada ou ativada pelo escritor/jornalista que lhe deu forma.
Deve ser rápida como a percepção e demorada como a recordação. Verdadeira como um poente e esperançosa como a aurora. (...) Suave como pele de mulher amada e irritada como uma criança com fome.
Terna como a amamentação e insegura como toda primeira vez. Religiosa como a portadora do mistério e agnóstica como um livre pensador. A crônica nos obriga à síntese, à capacidade de condensar emoções em parágrafos-barragem. Faz-nos prosseguir, mesmo quando nos sentimos repetitivos. É, pois, a expressão jornalístico-literária da necessidade de não desistir de ser e sentir. A crônica é o samba da literatura.
Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/ntc_l.php?t=044.
Em cada alternativa, o enunciado entre aspas foi reescrito com algumas alterações, incluindo a forma verbal destacada. Assinale a alternativa em que a forma reescrita, entre parênteses, está totalmente correta.
- “(...) da pessoa do escritor ou jornalista, exposto que fica, com suas vísceras existenciais à mostra no açougue da vida.” (quando o escritor ou jornalista expor suas vísceras existenciais no açougue da vida.)
- “Já escrevi mais de cinco mil crônicas.” (Mais de cinco mil crônicas já foram escrevidas por mim.)
- “Para ser boa, não deve ser mastigada.” (Se for boa, não deverá ser mastigada.)
- “Tudo isso ela contém, a polivalente.” (Tudo isso as polivalentes conteem.)
- “pode trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.” (quando trazer agudeza de percepção dos bons ensaios.)
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
"Para ser boa" e "Se for boa" apresentam a mesma ideia condicional: a primeira expressa finalidade/condição através da locução infinitiva; a segunda, com o verbo no modo conjuntivo, expressa condição diretamente.
Na oração original, "não deve ser mastigada" temos a voz passiva construída com o verbo ser + particípio (mastigada) e o verbo modal dever indicando recomendação.
A reescrita "Se for boa, não deverá ser mastigada." mantém a voz passiva, o particípio e a nuance de obrigação/recomendação. O uso de deverá (futuro do presente) é compatível com a estrutura condicional introduzida por se for e preserva o sentido original.
Assim, a forma reescrita é gramaticalmente correta e equivalentes em significado à original.
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