Questão FC73139
Caio, detentor de notório saber jurídico e reputação ilibada, aprovado em 1º lugar no concurso público para procurador do Estado de Santa Catarina, foi designado para exercer as su
Dos Crimes contra a Administração Pública (arts. 312 a 359 H do CP)
FGV · 2022
Nesse cenário, de acordo com o Código Penal e considerando-se o entendimento dominante dos Tribunais Superiores, Caio:
- caso seja condenado, perderá automaticamente o cargo de procurador do Estado de Santa Catarina;
- responderá pela prática do crime de peculato impróprio, não podendo se beneficiar do princípio da insignificância;
- responderá pela prática do crime de peculato-apropriação, não podendo se beneficiar do princípio da insignificância;
- responderá pelo crime de furto privilegiado, por se tratar de criminoso primário, e considerando-se o pequeno valor dos bens subtraídos;
- será absolvido, em razão do reduzido valor dos bens, fazendo jus à aplicação do princípio da insignificância, que resulta na atipicidade material da conduta.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Gabarito: Letra BAnalisando as alternativas:
a) A afirmação de que a condenação leva à perda automática do cargo de procurador é INCORRETA.
A perda do cargo ocorre apenas se a pena privativa de liberdade for igual ou superior a um ano, e deve ser declarada motivadamente na sentença, conforme o Art.
92 do Código Penal.
b) A alternativa correta é que Caio responderá pelo crime de peculato impróprio, não podendo invocar o princípio da insignificância.
Ele subtraiu bens para uso pessoal, configurando o delito previsto no Art.
312, § 1º, do Código Penal.
Além disso, o STJ já firmou o entendimento de que a insignificância não se aplica a crimes contra a administração pública (Súmula 599, STJ).
c) A alternativa que sugere que Caio responderá por peculato-apropriação é INCORRETA.
O peculato-apropriação ocorre quando o funcionário tem a posse do bem devido ao cargo, o que não se aplica aqui, pois ele não possuía os bens no momento da subtração.
d) A afirmação de que responderá por furto privilegiado por ser primário e pelo pequeno valor dos bens é INCORRETA.
A conduta de Caio se classifica como peculato-furto, conforme o Art.
312, § 1º, do Código Penal, não se aplicando o furto privilegiado.
e) A alegação de que ele será absolvido devido ao valor irrisório dos bens é INCORRETA.
O princípio da insignificância não se aplica a crimes contra a administração pública, conforme já estabelecido pelo STJ (Súmula 599, STJ).
Portanto, a alternativa correta é a letra B.
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