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Questão FC889568

João é investigado pela prática de um crime de peculato. Durante a fase de inquérito policial, o Delegado de Polícia, sem autorização judicial, determina a entrada de agentes na re

Da Prova (arts. 155 a 250 do CPP)

FGV · 2026

João é investigado pela prática de um crime de peculato. Durante a fase de inquérito policial, o Delegado de Polícia, sem autorização judicial, determina a entrada de agentes na residência de João durante a noite, sob o argumento de que o crime em questão causa grave dano ao erário e que a apreensão de documentos seria essencial para evitar a ocultação de provas. Os agentes apreendem diversos computadores que continham evidências do crime. Diante de tal situação hipotética, assinale a afirmativa correta.

  1. A prova é plenamente válida, uma vez que o princípio da busca da verdade real se sobrepõe à inviolabilidade do domicílio em crimes cometidos contra a Administração Pública.
  2. A prova é legítima se for demonstrado que a diligência foi pautada pelo princípio da eficiência, visando à celeridade processual e à proteção do patrimônio público.
  3. Pelo princípio da não culpabilidade, João não poderia ter seus bens apreendidos antes de uma sentença penal condenatória transitada em julgado.
  4. Em virtude do princípio do contraditório, o Delegado de Polícia é obrigado a intimar a defesa de João para acompanhar a diligência de busca e apreensão na residência, sob pena de nulidade absoluta.
  5. As provas obtidas são ilícitas, pois, embora a entrada em domicílio possa ocorrer sem mandado em caso de flagrante delito, a busca para apreensão de provas exige ordem judicial e deve respeitar o período diurno, salvo consentimento do morador.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

As provas obtidas na busca noturna sem mandado são ilícitas, porque a Constituição garante a inviolabilidade do domicílio (art. 5º, XI, CF) e condiciona a entrada policial sem autorização judicial às hipóteses taxativas como o flagrante, desastre ou socorro.

O Código de Processo Penal disciplina que as buscas domiciliares devem ser cumpridas durante o período diurno, salvo se houver consentimento do morador (art. 245, CPP).

No caso apresentado houve ordem policial noturna e sem mandado; assim, a diligência viola a reserva de jurisdição e macula a prova.

Consequentemente aplica-se a nulidade das provas obtidas e das provas dela derivadas, por força da proteção constitucional à casa e do princípio da legalidade probatória.

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