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Questão FC889952

Encaminhada pelo Judiciário devido a uma situação de extrema vulnerabilidade material, uma família é avaliada por uma psicóloga no âmbito da Assistência Social. Em seu documento té

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CPCON UEPB · 2026

Encaminhada pelo Judiciário devido a uma situação de extrema vulnerabilidade material, uma família é avaliada por uma psicóloga no âmbito da Assistência Social. Em seu documento técnico, a profissional conclui que as dificuldades protetivas parentais decorrem da “imaturidade emocional” e da “estrutura de personalidade disfuncional” dos genitores, sem considerar o contexto de exclusão territorial. Considerando os Princípios Fundamentais do Código de Ética Profissional (Resolução CFP nº 10/2005) e os parâmetros conjuntos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) para atuação na Política de Assistência Social (2007), assinale a afirmativa CORRETA sobre essa prática.

  1. Embora a patologização da pobreza seja eticamente inadequada, o encaminhamento judicial impõe a adequação da atuação técnica às demandas da vara solicitante. O(A) psicólogo(a) deve focar nos sintomas psíquicos descritos para responder com exatidão aos quesitos do magistrado, priorizando a celeridade processual cabível.
  2. A consideração dos fatores socioeconômicos extrapola os limites da avaliação psicológica, que deve se concentrar nos processos subjetivos e nas características psicológicas dos genitores.
  3. A identificação de características emocionais dos genitores é suficiente para fundamentar a avaliação das dificuldades protetivas parentais, desde que as conclusões sejam formuladas com base em procedimentos psicológicos reconhecidos cientificamente.
  4. O(A) psicólogo(a) pode atribuir as dificuldades protetivas às características individuais dos genitores quando o documento tiver finalidade judicial, pois, nesse contexto, a avaliação deve responder prioritariamente aos quesitos formulados pelo magistrado.
  5. Ao desconsiderar os determinantes históricos, políticos e econômicos da realidade, a profissional infringe os princípios éticos da profissão, ao patologizar e responsabilizar individualmente os sujeitos por fenômenos estruturais de exclusão e pobreza.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Ao reduzir as dificuldades parentais à “imaturidade emocional” e à “estrutura de personalidade disfuncional” sem analisar o contexto, a psicóloga pathologiza e individualiza problemas que têm raízes sociais e estruturais.

A Resolução CFP nº 10/2005 exige que a atuação profissional considere direitos humanos, não discriminação e a dimensão social dos fenômenos, preservando a dignidade dos sujeitos.

Os parâmetros CFP/CFESS (2007) orientam a intervenção na Assistência Social a partir de uma perspectiva sociohistórica e intersetorial, evitando explicações que culpabilizam os indivíduos por pobreza e exclusão.

Assim, a conduta descrita infringe princípios éticos: promove estigmatização, compromete a intervenção técnica e ignora a responsabilidade de articular medidas que enfrentem determinantes históricos, políticos e econômicos.

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