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Questão FC274455

João, indignado com a má gestão dos recursos públicos pelo governo, decide não pagar impostos. Para tanto, João falsificou um recibo médico e o utilizou com a finalidade de reduzir

Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Legislação Penal e Processual Penal Especial

FGV · 2022

João, indignado com a má gestão dos recursos públicos pelo governo, decide não pagar impostos. Para tanto, João falsificou um recibo médico e o utilizou com a finalidade de reduzir tributo por ele devido, causando ao erário prejuízo no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). A falsidade foi constatada pelos auditores fiscais, que lavraram auto de infração. Ao final do procedimento administrativo fiscal, é constituído crédito fiscal e realizado o lançamento definitivo. Cópia do procedimento é encaminhado ao Ministério Público que denuncia João pelo crime tipificado no Art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990.

 

Assinale a opção que apresenta o instituto jurídico que se aplica à defesa de João.

  1. Nenhum crime, em razão do princípio da insignificância.
  2. Nenhum crime, em razão do princípio da territorialidade.
  3. Nenhum crime, em razão de inexigibilidade de conduta diversa (excludente de culpabilidade), por objeção de consciência.
  4. Nenhum crime, em razão do princípio da ultra atividade da lei penal menos gravosa.
  5. Nenhum crime, em razão da atipicidade da conduta.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A opção está correta porque incide o princípio da insignificância nos crimes tributários quando o débito apurado é inferior ao parâmetro jurisprudencial de R$ 20.000,00 (Tema 157/STJ). No caso, o prejuízo foi de R$ 10.000,00, logo \(R\$\,10.000,00 < R\$\,20.000,00\), o que autoriza o reconhecimento da insignificância.

O efeito jurídico é a atipicidade da conduta: retirando-se a relevância material do dano, desaparece a tipicidade material, e, por conseguinte, o fato deixa de ser crime segundo o conceito tripartido (típico, ilícito e culpável).

Importante: a lavratura do auto de infração e o lançamento definitivo não impedem a aplicação da insignificância, que elimina a típica dimensão penal do fato, tornando-o atípico e afastando a punibilidade.

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