Questão FC578214
Com o objetivo de conferir máxima efetividade ao princípio da autotutela, o Estado Ômega, um dos estados com maior arrecadação tributária do país, editou lei estabelecendo que a Ad
Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Matéria Administrativa
FGV · 2022
Com o objetivo de conferir máxima efetividade ao princípio da autotutela, o Estado Ômega, um dos estados com maior arrecadação tributária do país, editou lei estabelecendo que a Administração Pública estadual anulará seus atos inválidos, de ofício ou por provocação de pessoa interessada, observado o prazo decadencial de 10 (dez) anos contado de sua produção.
De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a citada norma é
- inconstitucional, por violação ao princípio da igualdade com os demais Estados-membros, pois o prazo de 5 anos, previsto na Lei nº 9.784/99, consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o poder público e particulares.
- inconstitucional, sob o aspecto formal, pois viola a competência privativa da União para legislar sobre processos e contratos administrativos.
- constitucional, desde que haja a instauração de processo administrativo no qual sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa.
- inconstitucional, por violação ao princípio da segurança jurídica, pois o prazo de dez anos é muito superior ao prazo geral trienal previsto na Lei Federal nº 9.784/99, que é aplicável de forma subsidiária aos Estados e Municípios.
- constitucional, porque, a um só tempo, representa maior proteção ao patrimônio público estadual e garante a autonomia do Estado Ômega, em prestígio ao pacto federativo.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
A
Comentário do professor
A opção está correta porque a norma estadual que fixa prazo de 10 anos para a Administração anular seus próprios atos é inconstitucional por violar o princípio da igualdade entre os Estados-membros.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu que o prazo quinquenal, previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99, consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o Poder Público e os particulares, devendo prevalecer salvo justificativa razoável que justifique tratamento diverso.
Sem fundamento idôneo para conferir tratamento excepcional, lei estadual que alonga unilateralmente o prazo rompe a isonomia e foi julgada inconstitucional em precedente relevante (ADI 6019), que confirmou a aplicação do prazo de cinco anos como regime geral.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em