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Questão FC600696

O Município de Santa Clara, por meio de decreto municipal, tombou um casarão histórico particular, localizado na área central da cidade, reconhecendo seu valor arquitetônico e cult

Intervenção do Estado na Propriedade Privada

AMEOSC · 2025

O Município de Santa Clara, por meio de decreto municipal, tombou um casarão histórico particular, localizado na área central da cidade, reconhecendo seu valor arquitetônico e cultural.

 

O proprietário do imóvel, inconformado com as restrições impostas — que passaram a impedir reformas estruturais e modificações externas — ajuizou ação judicial contra o Município, alegando que o tombamento configuraria uma forma de desapropriação indireta, já que estaria impedido de explorar economicamente o bem.

 

O processo foi encaminhado à Procuradoria Municipal para manifestação quanto à natureza jurídica do ato e suas consequências patrimoniais. Diante da situação apresentada, assinale a alternativa correta.

  1. O tombamento extingue automaticamente o domínio do particular.
  2. O tombamento não gera desapropriação, mas limitação administrativa ao uso do bem.
  3. O tombamento é nulo, pois viola o direito de propriedade.
  4. O tombamento sempre implica desapropriação e indenização.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O tombamento é medida administrativa de proteção ao patrimônio cultural e não gera desapropriação. Trata-se de uma restrição administrativa ao uso do bem, que preserva a titularidade e a posse do proprietário, impondo obrigações e limites para intervenções e obras.

O imóvel permanece em mãos privadas; o poder público apenas condiciona alterações para salvaguardar valores arquitetônicos e históricos. Assim, reformas estruturais e modificações externas dependem de autorização administrativa.

Quanto à indenização, a simples limitação de uso não enseja compensação automática. Só há cabimento a indenização ou a medida excepcional quando a restrição equivaler, na prática, à perda total do conteúdo econômico do direito de propriedade, conforme entendimento jurisprudencial e normas aplicáveis.

O proprietário tem, portanto, meios administrativos e judiciais para discutir autorizações ou pleitear reparação por prejuízo efetivo, mas não se configura desapropriação pela existência do tombamento.

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