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Questão FC609757

No que diz respeito à prisão preventiva, é correto afirmar:

Da Prisão, das Medidas Cautelares e da Liberdade Provisória (arts. 282 a 350 do CPP)

Com. Exam. (MPE SP) · 2025

No que diz respeito à prisão preventiva, é correto afirmar:

  1. A exigência de revisão periódica da necessidade de manutenção da prisão preventiva se aplica até o final dos processos de conhecimento, com o encerramento da cognição plena pelo tribunal de segundo grau, não sendo aplicável às prisões cautelares decorrentes de sentença condenatória de segunda instância ainda não transitada em julgado.
  2. Decretada a prisão, deverá o órgão emissor da decisão revisar a necessidade de sua manutenção a cada noventa dias, em decisão fundamentada. Considerando o caráter excepcional da prisão, o prazo em questão é peremptório. Caso ultrapassado esse limite temporal, será imediatamente relaxada a prisão preventiva.
  3. Apesar do fortalecimento do sistema acusatório promovido pelo Pacote Anticrime, nada impede que o juiz, de ofício, decrete prisão preventiva, sendo prescindível o prévio requerimento do Ministério Público ou a representação da autoridade policial. A posterior manifestação do órgão ministerial ou da autoridade policial pela conversão ou decretação de prisão cautelar não supre o vício de não observância da formalidade do prévio requerimento para a prisão preventiva.
  4. A decisão que decretar a prisão preventiva será sempre fundamentada. Porém, o juiz não precisa enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada.
  5. Considerando que a autodefesa é renunciável, a fuga e a localização incerta do acusado se inserem no exercício da ampla defesa, não podendo constituir fundamentação idônea para o decreto de prisão preventiva.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o art. 316, parágrafo único do CPP impõe a revisão da necessidade da prisão preventiva a cada 90 dias, mediante decisão fundamentada, visando evitar a manutenção indevida da medida.


O Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que essa obrigação de revisão nonagesimal alcança as prisões cautelares durante o processo de conhecimento, isto é, enquanto houver possibilidade de cognição plena pelo tribunal de segundo grau (cognição plena), aplicando‑se até o encerramento dessa fase.


Por esse motivo, a regra não alcança as prisões cautelares que decorrem de sentença condenatória proferida em segunda instância ainda não transitada em julgado, por se tratarem de situação diversa, conforme a Informação 1046 do STF.

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