Questão FC610912
Aponta Raymundo Faoro, em sua obra seminal Os donos do poder, que: De d. João I a Getúlio Vargas, numa viagem de seis séculos, uma estrutura político-social resistiu a todas as tra
Sociologia Jurídica
VUNESP · 2025
Aponta Raymundo Faoro, em sua obra seminal Os donos do poder, que:
De d. João I a Getúlio Vargas, numa viagem de seis séculos, uma estrutura político-social resistiu a todas as transformações fundamentais, aos desafios mais profundos, à travessia do oceano largo. O capitalismo politicamente orientado – o capitalismo político, ou o pré-capitalismo –, centro da aventura, da conquista e da colonização moldou a realidade estatal, sobrevivendo e incorporando na sobrevivência o capitalismo moderno, de índole industrial, racional na técnica e fundado na liberdade do indivíduo – liberdade de negociar, de contratar, de gerir a propriedade sob a garantia das instituições.
(Faoro, Raymundo. Os donos do poder. São Paulo: Companhia das Letras, 2021)
Uma tese central das análises de Raymundo Faoro sobre a formação do estado brasileiro consiste em defender que
- os donos do poder lutaram, desde o Brasil colônia, contra a lógica patrimonialista europeia.
- a história sociopolítica brasileira revela a relação indissociável entre o Estado e a Nação.
- a herança neopositivista influenciou as instituições políticas brasileiras no período colonial.
- os estamentos burocráticos das instituições políticas brasileiras distanciaram-se da nação.
- o monetarismo herdado das instituições portuguesas organizou a formação do Estado brasileiro.
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Gabarito
D
Comentário do professor
Raymundo Faoro, em Os donos do poder, afirma que os estamentos burocráticos das instituições políticas brasileiras se autonomizaram e distanciaram-se da nação. Esses grupos passaram a operar o Estado como uma corporação voltada a seus próprios interesses, não como expressão da sociedade.
Para explicar esse processo, Faoro usa conceitos como patrimonialismo e capitalismo político: o aparelho estatal é apropriado por elites que o empregam para reprodução de privilégios e poder. Mesmo com a modernização econômica, a estrutura burocrática incorporou o capitalismo industrial sem submeter-se às demandas coletivas.
O efeito prático é a persistência de clientelismo, fragmentação institucional e dificuldade de construção de uma esfera pública integrada, o que impede a plena articulação entre Estado e sociedade.
Assim, a tese central aponta a distância institucional entre o Estado burocrático e a nação como elemento-chave da formação do Estado brasileiro.
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