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Questão FC85189

João, aproveitando-se de distração de Marcos, juiz de direito, subtraiu para si uma sacola de roupas usadas a ele pertencentes. Marcos pretendia doá-las a instituição de caridade.

Princípios de Direito Penal

CEBRASPE (CESPE) · 2016

João, aproveitando-se de distração de Marcos, juiz de direito, subtraiu para si uma sacola de roupas usadas a ele pertencentes. Marcos pretendia doá-las a instituição de caridade. João foi perseguido e preso em flagrante delito por policiais que presenciaram o ato. Instaurado e concluído o inquérito policial, o Ministério Público não ofereceu denúncia nem praticou qualquer ato no prazo legal.
Considerando a situação hipotética descrita, julgue o item a seguir.
O fato de a vítima ser juiz de direito demonstra maior reprovabilidade da conduta de João, o que impede o reconhecimento do princípio da insignificância.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação foi julgada ERRADA porque o reconhecimento do PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA incide sobre o fato, não sobre a qualidade da vítima. Em regra, não se eleva automaticamente a reprovabilidade pelo simples fato de a vítima ser juiz de direito.

Os critérios aplicáveis são objetivos: mínima ofensividade, ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão, todos avaliados no caso concreto.

Na hipótese, trata‑se de subtração de uma sacola de roupas usadas, de baixo valor e destinação solidária pretendida, lesionando, em princípio, bem jurídico de forma inexpressiva, circunstância que autoriza cogitar da insignificância mesmo com vítima magistrada.

Observação: o STF recomenda exame caso a caso, e agravantes como qualificação do crime ou reincidência podem afastar a aplicação do princípio.

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