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Questão FC889883

O Ministério Público, com atribuição junto ao Município Alfa, recebeu diversas representações relatando que a água distribuída à população estaria sendo fornecida sem tratamento pr

Da Jurisdição Constitucional das Liberdades e seus Principais Mecanismos

FGV · 2026

O Ministério Público, com atribuição junto ao Município Alfa, recebeu diversas representações relatando que a água distribuída à população estaria sendo fornecida sem tratamento prévio adequado, circunstância potencialmente apta a ocasionar a disseminação de doenças. Após a instauração de procedimento investigatório e a realização das diligências cabíveis, o Parquet ajuizou ação civil pública em face do ente federativo.

 

Considerando a situação hipotética, a legislação vigente e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinale a afirmativa correta.

  1. O Ministério Público não possui legitimidade para ajuizar ação civil pública em favor de determinado grupo de pessoas, por se tratar, na hipótese apresentada, de direito individual homogêneo.
  2. O Poder Judiciário não pode, em sede de ação civil pública, compelir o Município a implementar sistema de abastecimento de água, sob pena de violação ao princípio da separação dos poderes.
  3. Na hipótese apresentada, o STJ considera possível o pagamento de indenização por danos morais coletivos, sendo aferível in re ipsa, desde que expressamente trazido o pleito nos pedidos.
  4. Para que seja possível o pagamento de dano moral coletivo, é necessária a prova de sofrimento psicológico da população, não sendo suficiente a mera prática do ato ilícito.
  5. No caso em tela, o Município pode invocar, em sua defesa, o princípio da reserva do possível, uma vez que para a adoção das ações pleiteadas pelo Parquet, há necessidade de prévio planejamento orçamentário.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A omissão estatal no tratamento da água compromete bens jurídicos coletivos e configura dano moral coletivo, passível de reparação por meio de ação civil pública.

O Superior Tribunal de Justiça admite a indenização por dano moral coletivo in re ipsa, isto é, presumida pela própria natureza do ato, sem necessidade de prova do sofrimento individual, dado o caráter difuso da lesão.

Contudo, essa condenação só é possível se o pedido expresso de indenização por dano moral coletivo constar nos pedidos da inicial; a ausência de pleito impede a condenação por este título.

Trata‑se de responsabilização do ente público por omissão, com finalidade reparatória e preventiva, observando-se critérios de proporcionalidade na fixação do quantum indenizatório.

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