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Questão FC100575

Com base exclusivamente em interceptação telefônica autorizada judicialmente, a polícia judiciária, no curso de inquérito policial, teve conhecimento dos preparativos para a ocorrê

Lei nº 9.296/1996 - Interceptação Telefônica

CEBRASPE (CESPE) · 2011

Com base exclusivamente em interceptação telefônica autorizada judicialmente, a polícia judiciária, no curso de inquérito policial, teve conhecimento dos preparativos para a ocorrência de determinado crime. Por ordem da autoridade policial, então, agentes de polícia passaram a acompanhar os investigados e, sem que em nada influenciassem na conduta ou provocassem a ação dos criminosos, tiveram oportunidade de presenciar a prática do crime, momento em que deram ordem de prisão e conseguiram prender dois dos perpetradores, no momento em que cometiam a infração penal, após o que iniciaram perseguição a um terceiro autor do mesmo crime, o qual foi detido apenas horas depois, após perseguição contínua e ininterrupta da polícia, da qual, em tempo algum, conseguiu fugir ou se desvencilhar. No momento do flagrante, foram também colhidas provas, as quais, depois, se mostraram essenciais para a denúncia e condenação.

Tendo por base a situação acima narrada, julgue o item seguinte.

Se a interceptação telefônica que permitiu a ação policial for considerada ilícita por decisão judicial posterior, todas as provas colhidas durante o flagrante serão inadmissíveis no processo, a não ser que provem os responsáveis pela persecução criminal que tais provas poderiam ser obtidas por fonte diversa e independente da interceptação impugnada.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é certa porque a interceptação telefônica ilícita contamina as provas dela derivadas, nos termos do art. 157, §1º, do CPP. Se a prova originária for considerada ilegal, são inadmissíveis as provas que dela decorram, salvo se houver demonstrada fonte independente que rompa o nexo causal entre a ilicitude e o resultado probatório.

No caso narrado, a ação policial decorreu do conhecimento obtido pela interceptação, de modo que o flagrante e as provas colhidas são, em princípio, provas derivadas. Para serem aproveitadas, caberá aos responsáveis pela persecução provar que tais elementos poderiam ter sido obtidos por outra fonte autônoma, sem relação de dependência com a interceptação impugnada, hipótese em que as provas serão consideradas lícitas.

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