FC ConcursosFC Concursos

Questão FC102223

Beta, delegado de polícia, ordenou a seu subordinado o encarceramento de Épsilon, alegando ser este autor de um crime de latrocínio que acabara de ser perpetrado. Posteriormente, p

Lei nº 13.869/2019 - Lei de Abuso de Autoridade (antiga Lei nº 4.898/1965)

CEBRASPE (CESPE)

Beta, delegado de polícia, ordenou a seu subordinado o encarceramento de Épsilon, alegando ser este autor de um crime de latrocínio que acabara de ser perpetrado. Posteriormente, por tratar-se de prisão para averiguações, desconhecida pelo subordinado, a autoridade policial, no afã de legalizar a detenção, representou acerca da decretação da prisão temporária. Decretada a prisão temporária pelo juiz de direito, e expirado o prazo de trinta dias, sem pedido de prorrogação, a autoridade policial prolongou conscientemente a custódia de Épsilon, deixando de libera-lo. Tomando ciência do ocorrido por meio de peças informativas, o Ministério Público ofertou denúncia contra Beta, imputando-lhe a prática de abuso de autoridade.

Com relação a essa situação hipotética e à legislação pertinente, julgue o item abaixo.

Em face da obediência hierárquica putativa, Épsilon não seria passível de punição criminal, por ter cumprido ordem não-manifestamente ilegal.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação de que Épsilon não poderia ser responsabilizado criminalmente devido à obediência hierárquica putativa é incorreta, e aqui está o porquê. Primeiro, é crucial entender que Épsilon era o *detido*, e não o subordinado do delegado. A *obediência hierárquica* se aplica a relações laborais, onde um subordinado cumpre ordens de seu superior. Além disso, mesmo que se considerasse a possibilidade de um erro de interpretação a respeito da ordem recebida, a situação descrita revela que a ordem foi *manifestamente ilegal*. O delegado não apenas passou uma instrução irregular ao manter o encarceramento sem justificativa legal, como também violou prazos estabelecidos pelo juiz ao não solicitar a prorrogação da prisão temporária. No contexto da Lei de Abuso de Autoridade, é evidente que a prisão sem a devida autorização judicial e sua continuação além do prazo legal não podem ser consideradas ordens que um subordinado devesse seguir. Portanto, sob essa visão, a punição do delegado Beta por abuso de autoridade é plenamente justificável, tornando o gabarito da questão ERRADO.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo