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Questão FC580650

A Lei n.º 13.463/2017 contém dispositivo com a seguinte redação: “Ficam cancelados os precatórios e as RPV federais expedidos e cujos valores não tenham sido levantados pelo credor

Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Legislação Civil e Processual Civil Especial

CEBRASPE (CESPE) · 2023

A Lei n.º 13.463/2017 contém dispositivo com a seguinte redação: “Ficam cancelados os precatórios e as RPV federais expedidos e cujos valores não tenham sido levantados pelo credor e estejam depositados há mais de dois anos em instituição financeira oficial”. Ao examinar a constitucionalidade desse dispositivo normativo em sede de controle concentrado de constitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que tal previsão é

  1. constitucional e se aplica tantos aos precatórios quanto às requisições de pequeno valor (RPV) federais.
  2. inconstitucional por violação ao devido processo legal, à garantia da coisa julgada e ao direito de propriedade, entre outros preceitos constitucionais.
  3. parcialmente inconstitucional, sendo legítima sua aplicação apenas em relação aos precatórios.
  4. parcialmente inconstitucional, sendo legítima sua aplicação apenas em relação às requisições de pequeno valor (RPV) federais.
  5. aplicável apenas nos casos em que o cancelamento for precedido de intimação do credor pelo juízo da execução, tendo sido dada interpretação ao dispositivo conforme a Constituição Federal de 1988.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa aponta que a previsão é inconstitucional porque impõe o cancelamento automático de precatórios e RPVs sem qualquer procedimento que assegure a participação do credor. Isso fere o devido processo legal e o direito ao contraditório, já que o levantamento dos valores é feito sem prévia ciência ou oportunidade de defesa.

Além disso, há afronta à coisa julgada e à segurança jurídica, pois decisões transitadas em julgado conferem ao credor um crédito certo que não pode ser extinto por norma infraconstitucional. O patrimônio depositado permanece pertencente ao credor, motivo pelo qual se viola o direito de propriedade.

Por fim, a norma também contraria o princípio da separação dos poderes, ao intentar regular matéria que, na execução de sentenças contra a Fazenda, está vinculada à gestão do Poder Judiciário e à ordem cronológica prevista na Constituição.

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